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Próxima Paragem

Próxima Paragem

Ter um Passaporte nas mãos

Eu nunca tive um Passaporte.

É a primeira vez na vida que pego num, que por acaso é o meu... este, que me vai deixar abrir as "portas" do Mundo. Com ele vou a qualquer lugar deste planeta...Uau!!!!

Eu não sei quanto a muitos de vocês, mas eu, estou muitíssimo feliz por ter um destes.

É sinal, que daqui a nada, estou dentro de um avião a fazer mais uma viagem, porem para um destino, que até a pouco tempo não passava de um sonho.

Sim, aquele que me deixa a navegar por instantes momentos, no qual eu me vejo a dar um mergulho em águas cristalinas, a ver o por do sol sentada na areia.... a caminhar por praias de areia fina, a ver o rosto e os sorrisos das pessoas pela rua fora, a sentir-me longe (mais longe ainda) de tudo e todos e apenas viver todos os momentos que me marcaram a vida para sempre.

Deixar as preocupações e as tristezas de lado e dar lugar a tudo que é bom. Já o faço no dia-a-dia mas nem sempre corre bem, mas também não tenho do que me queixar.

Quem diria que um Passaporte pode deixar uma pessoa com sorriso de orelha a orelha...

 

 

Ser Bombeira Voluntária na Alemanha #6

Eu sempre digo e repito constantemente, o tempo é que nos ajuda.

O tempo diz-nos tudo o que a gente quer saber, assim como só ele nos pode ajudar em grandes momentos da nossa vida.

Neste caso ele ajudou-me a ultrapassar uma pequena vergonha, que vos contei ultimo post desta pequena história. 

Passado três semanas voltamos e as coisas iam correndo.

Não estava de todo interessada em continuar ali.

Para que? Para me chatear, com quem, no fundo até tinha razão? Não. O melhor era desistir. Eu não sabia falar o que eles queriam que eu falasse, em pouco tempo.

Uns dias melhores, outros piores, piadinha aqui, piadinha ali e tudo passava. Até que chegou um grande dia.

Mundial de 2014. Portugal-Alemanha. Convite para irmos assistir o futebol com eles...claro que sim, porque não?

É só futebol.

Ok, tirando a parte de a gente ter perdido, tudo correu muito bem. A sério que sim, não vos vou mentir.

Nem eu me iria chatear muito, afinal de contas gostava que Portugal ganha-se mas se não tivesse-mos essa sorte, que foi o caso, claro que estaria do lado da Alemanha. Faz parte da minha vida é aqui que a faço e desejo continuar a fazer, automaticamente estaria dos dois lados. 

Ora, embora eu pense assim, naquele dia, é quase que inexplicável, pois queria mesmo que Portugal ganha-se.

A rivalidade no futebol (e não só) existe.

Caneco!!! Não que eu fosse fazer grande festa, mas vocês sabem, o Mundial deixa qualquer com os cabelos em pé. 

Nesse dia de convívio, todos levaram comida para a gente ir petiscando enquanto o jogo decorria. 

Salsichas, saladas, sumos e cerveja. Muita cerveja. Festa sem cerveja na Alemanha, não é festa.

Eu, levei uma tarte (má escolha), o frigorifico que tinham lá não poderia ser pior. Paciência, nada a fazer. Comeram e eu vim só com a tarteira vazia embora. Foi bom sinal. Desenhei as letras iniciais dos nossos Países, as respectivas bandeiras e a taça do Mundial. Achei engraçado e eles também.

 Já não me lembro bem, mas na altura Portugal começou logo a perder, ainda nos primeiros minutos.

Obvio que eles diziam que o Cristiano Ronaldo não joga nada e que é arrogante.

Um falava, outro criticava e eu ia comendo para não ter que me chatear muito, ainda mais depois de ver que a gente ia de facto perder o jogo. 

Cada golo que Alemanha marcava, eles faziam uma festa enorme, mas mesmo enorme.

Cantavam, gritavam e tocavam até vuvuzelas.

Nós, dois "tristes" Portuguesinhos ali no meio, encolhia-mos os ombros, ainda com uma pequenina, mas bem pequenina esperança que o jogo mudasse.

Azar, foi muito azar. Tivemos de levar com aqueles sons frenéticos deles e sorrir como se a gente não se tivesse importado. 

Por ultimo, antes de virmos embora, tirámos umas fotos com as bandeiras de Portugal e Alemanha.

Apesar de tudo, ainda havia boa gente, poucos mas boas, já diz o ditado...e aquele dia ficou e ficará sempre na memória.

 

 

 

Este Domingo custou, mas já passou

Aiiiiiii... nunca mais passava o caneco do Domingo!!!!

Custou tanto, mas tanto, mas tanto... 

Ora eram duas, ora eram três, ora eram quatro... cada hora era uma eternidade.

Depois fui fazer a minha pausa e pensava eu:

-Calma, relaxa, daqui a nada já terminas o teu trabalho e aí sim, estás de férias. Respira, inspira, respira inspira.

Peguei novamente ao trabalho e continuava tudo muito lento. Eu bem tentei fazer coisas, ajudava os colegas, ia para aqui, para ali, para acolá...mas nada, nada me ajudava.

Que tédio!!! É horrível...mas já passou.

Oooh yeahhh baby... encontro-me oficialmente de férias 

É tão bom, mas tão bom...nem estou em mim... 

 

Confidências

Poucos sabem. Também não são muitos com quem falo sobre mim, é verdade... 

Hoje conto-vos algo que provavelmente não irei ser de verdade, mas poderei fazer tudo de outra maneira que não propriamente esta.

Adorava ser mochileira. Amava é a palavra certa. Acho que me ia saber virar muito bem apenas com uma mochila ás costas e partir na aventura. 

Gosto de ler blogs de mochileiros. Gosto de imaginar como seria se fosse comigo, muitas das situações que eles escrevem.

Gostava de viajar mais, conhecer novas culturas, pessoas, provar novos sabores. Visitar templos, museus, saber histórias locais, ver coisas que nunca vi... um infindável de coisas que não fiz ou vá, vou fazendo, aos bocados.

Não é por acaso que já tentei, há muito tempo atrás ir trabalhar para um barco turístico no Luxemburgo. Enviei o meu curriculum e esperei uma resposta, que veio, passado uns dias a dizer que naquele momento não precisavam de ninguém, embora agradeciam o meu contacto e que não se esqueceriam de mim.

Eu ia, sem medo nenhum, sozinha. Queria juntar algum dinheiro e viajar. Viajar muito. 

A vida entretanto mudou, no meu ponto de vista para melhor, mas este pequeno "bichinho" de querer viajar, não mudou absolutamente nada.

É preciso dinheiro, coisa que não se tem num estalar de dedos, não é verdade?

Hoje, tenho um bom emprego mas também tenho despesas o que faz com que eu não tenho muito tempo para viajar como gostaria e nem dinheiro para tais viagens de sonho, pois penso nelas mas no meu futuro também. Por isso mesmo, ser mochileira, acabou por ficar de lado. Guardei para, quem sabe um dia, o fazer. Nunca é tarde para realizar os nossos sonhos. 

Os chamados mochileiros são pessoas que levam a vida de uma forma descontraída, alegre, vivem para viajar e o pouco que ganham aqui e ali é mesmo para isso, para viajar.

Eu considero-me muito aventureira, só não sou mais porque também me sinto muito bem como estou, mas em cada oportunidade lá ando eu a inventar qualquer coisa. Aliás, não só eu como o meu companheiro de aventuras. Até ele passou a gostar das minhas ideias.

Ao que já li, sei também, que tem os seus "segredos" e trocar uma vida comum para uma vida de mochileiro tem as suas vantagens e desvantagens.

Ora veja-mos que:

Um/a mochileiro/a faz viagens por contra própria, não anda cá com agencias de viagens.

Procura sempre o melhor lugar em conta para dormir e para comer obviamente.

Nunca o mais caro, mas sim o mais barato possível e muitas vezes sem pagar sequer.

Aí já é um pouco sorte, não é para todos. Mas por favor, nada como uma que li, que dormiu num lugar onde o cheiro a esgoto era intenso. Bem, meus caros leitores, nem oito nem oitenta. Isto realmente para mim não ia dár. Há mesmo necessidade disto? Eu acho que não.

Eles fazem o seu próprio roteiro. Eles pesquisam e preparam tudo sozinhos. Ás vezes as agências fazem o básico dos básicos. Pela internet vemos muitas mais coisas que podemos fazer num local e os preços são bem melhores.

É preciso tempo para pesquisar.

Sabem e procuram sempre os lugares mais tranquilos. Vão a locais que nem os turistas imaginam que existem e gostam de ir com calma, com tempo, sem stress.

Um verdadeiro mochileiro não é aquele com barbas grandes, cabelo com rastas, chinelo de dedo, estilo Hippe. É errado pensar que são todos assim. Os mochileiros são exploradores por natureza, vêem a vida de uma forma diferente, têm conhecimento de muitas coisas e eu gosto muito de gente assim. 

Levam pouco nas suas mochilas. Apenas o suficiente, o essencial, nada mais. Já os turistas levam duas malas a rebentar pelas costuras. Ok, eu levo uma cheinha  mas isso não quer dizer que não fosse capaz de levar apenas o essencial. 

Porem, li também, que não é propriamente a mochila que o/a define, não tem de ser aquelas enormes, mas sim aquelas malas/mochilas que nos derem mais jeito.

Admito que depois de ler alguns blogs, percebi que existem muitas formas de ver ou pensar o que é exactamente um mochileiro/a e fiquei assim, meio que, baralhada. Por momentos achei que fosse mochileira, mas não. Eu não sou. Falta-me qualquer coisa. Não sei bem o que, mas hei-de descobrir.

Em breve vou fazer uma das viagens da minha vida. Aquela que me irá sem duvida marcar para sempre e vou mesmo fazer questão disso. Será uma viagem enriquecedora a todos os níveis e cheia de experiencias.

Não vou como uma mochileira, mas vou com o pensamento da mesma. 

Esperei mais ou menos, um ano e seis meses para a organizar, juntar dinheiro, ver os roteiros, comprar os bilhetes e fazer as malas. 

Estou ansiosa. Entristece-me não poder viajar mais,por mais tempo, mas o pouco que faço já me deixa extremamente feliz e com vontade de mais, mais e mais. Ainda me falta conheçer muito e vou muito a tempo para isso.

Em breve conto-vos tudo 

 

TAG - tu decides

Fui seleccionada pela autora do blog A Caracol, a responder a este questionário, o que me deixou muito feliz.

Ora então cá vai as minhas respostas...

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 REGRAS:

- Colocar o selo da TAG 

- Referir quem te nomeou

- Responder a todas as questões

- Nomear pelo menos 2 blogs

 

Leite com café ou leite com chocolate?

Gosto muito das duas maneiras, mas prefiro leite com café.

Chocolate Preto ou Chocolate Branco?

Chocolate branco por favor. Tudo menos chocolate amargo.

Gelado ou 'Coxinha' ?

Gelado, gelado, gelado... adoro, faça chuva ou faça sol.

Colorido ou Preto e Branco?

Colorido sempre. Gosto de dar vida a tudo.

Séries ou Filmes?

Se me deram a séria do 24h, troco qualquer filme por esta série, caso contrário prefiro filmes.

Facebook ou Instagram?

Facebook.

Cão ou Gato?

Cão.

Comer uma barata ou comer uma aranha?

Pois... boa pergunta. 

Talvez uma barata, a aranha pode sair cara.

Cozinhar ou Lavar a louça?

Cozinhar, embora gosto muito de lavar a louça.

Academia ou taça de gelado?

Academia também sabe e faz bem, mas uma taça de gelado é muito melhor.

Mar ou Rio?

Mar, de preferência a ver o por do sol.

Ter chulé ou Ficar sem telemóvel?

Ficar sem telemóvel. Sabe bem desligar de tudo e de todos por uns dias.

Ataque de zumbis ou de baratas gigantes?

Baratas gigantes. 

Ficar sem espelho ou sem perfume?

Sem espelho.

Ficar sem escovar os dentes por 1 dia ou ficar sem tomar banho por 1 dia?

Esta é dificil... mas, acho que conseguia passar um dia sem tomar banho, agora sem escova de dentes não me estou a ver.

Sentir Ciúme ou sentir Saudade?

Ciúme. A saudade dói imenso, o ciume é passageiro. 

Comer cebola crua ou alho cru?

Cebola. Na salada é bom.

Ficar sem comer por 1 dia ou ficar sem beber água por 1 dia?

Sem beber água por 1 dia é mais fácil.

Colocar um piercing na língua ou Fazer uma Tatuagem?

Uma tatuagem. Em breve vou fazer a minha.

Cair em público ou peidar alto em público? 

Cair. Já me aconteceu.

Acabar com o Youtube o acabar com o Watsapp?

Acabar com o Watsapp. O Youtube é bem melhor.

  

Adorei. Algumas são ligeiramente difíceis que me deixaram a pensar por alguns instantes. 

Gosto de questionários, lembro-me no tempo de escola dos "inquéritos", era super divertido e sempre gostei muito destas coisas.

Obrigada Caracol :)

 

Nomeio os blog`s seguintes para esta aventura:

Josedaxa

Carlos

Divirtam-se!! 

 

Ser Bombeira Voluntária na Alemanha #5

Um dia, fizemos um treino em que cada colega tinha o seu par, porem eu não entendi nada das explicações e não compreendi bem quais eram as minhas tarefas.

O Comandante bem que falou, falou e falou mas eu, nada. Quando todos se começaram a mexer eu perguntei ao meu colega o que tinha de fazer e ele disse-me para ir buscar algum material. É difícil explicar a sensação de alguém me falar os nomes das coisas que tinha de ir buscar e eu não perceber nenhum dos nomes.

Não sabia que materiais ele queria. Eu bem que me esforcei ao tentar lembrar-me. Olhava para tudo, ao mesmo tempo que todos os outros chegavam e tiravam com rapidez o material que precisavam. Eu só via o carro a ficar cada vez mais vazio. Tinha de ser rápida, afinal de contas tudo aquilo poderia ser real (se fosse eu nem lá estaria, pois teria de ter a escola de bombeiro primeiro), mas eu não consegui.

Eu sei meus caros. Estou na Alemanha, tenho de falar Alemão. Sem duvida.

No entanto, quando eu entrei para para este quartel tinha avisado o Comandante e alguns dos colegas que tiveram interesse em saber, que não tinha grande experiencia com fogos urbanos e florestais. Fui cadete dois anos e aspirante seis meses depois vim para Alemanha. Não sei o que eles pensavam, mas com certeza que achavam que eu estava ali e já sabia tudo, incluindo os ditos nomes dos materiais.

O meu companheiro sabe bem mais que eu, foi Bombeiro Voluntario durante oito anos da sua vida e embora não falasse perfeito ele sabia fazer tudo muito bem, com um ou outro erro por causa da falta de percebas mas desenrascou-se muito bem. Podia não saber os nomes dos materias mas sabia quais são necessários para cada tarefa. Ao contrario de mim.

Enfim, o meu colega não me ajudou. Começou a fazer tudo sozinho e eu fiquei a olhar. Para onde ele ia, eu ia também.

Num momento, em que fazíamos uma simulação ao apagar o incêndio numa casa, o colega que estava a coordenar, falou tão rápido e tão alto que eu paralisei.

Todos olharam para mim, a ver aquela figurinha de parva que estava a fazer. Eu nem me mexi. Pensei para mim se havia mesmo necessidade de falar assim e depois senti-me envergonhada.

Ora vamos lá ver, quer dizer, falam normal e ás vezes não entendo, ao falarem alto e rápido, pior ainda. Eu só queria que aquele dia terminasse. E terminou, com todos a darem a sua opinião sobre o treino e o jovem com quem eu trabalhei a apontar para mim a dizer:

- Que querem que vos diga, fiz tudo sozinho.

De fundo ouvi o colega a dizer que alguém devia fazer alguma coisa. Esta piada era para o Comandante, que não respondeu.

Eu sei, eu sei… foi um treino e fiz tudo mal. Ele teve toda razão.

E eu? Preciso passar por isto? Por alminha de quem?

Não servia para nada e só atrapalhava.

Conclusão, fiquei três semanas sem lá meter os pés.

Ir ás compras? Só com o meu carro!

Carro para ir ás compras

 Prático, económico,

libre de impostos,

grande o sufeciente,

todo o terreno,

eficiente em dias de sol,

chuva ou de neve, assim é o meu BMW preto com uma facha cinzenta e eu não o troco por outro carro qualquer a não ser a minha bicicleta também esta cinzenta e preta, de duas rodas e com cestinha para compras.

Isto é que é, compras sobre rodas!!! 

E voçes? Também vão ao supermecado assim? 

Ser Bombeira Voluntária na Alemanha #4

Os Bombeiros Voluntários desta cidade, só actuam durante a noite, sendo assim um apoio aos Bombeiros Profissionais. Não fazem serviços de saúde, não lhes compete a eles fazerem, já nós em Portugal não sobrevivemos sem os serviços de saúde. Não têm as portas abertas 24h como nós, daí a nossa grande dificuldade para aprender-mos as coisas. 

Todos os Bombeiros, têm um aparelho em casa, chamado "Bipp"  que em caso de incêndio durante a noite, o aparelho toca (bem alto) e todos devem sair o mais rápido possível das suas casas e irem directos para o quartel, onde têm as suas fardas nos armários prontas a serem vestidas. Em Portugal, existem os piquetes, onde os Bombeiros pernoitam até a manha seguinte. Não tem essa de acordar a família e os vizinhos.

Os Bombeiros Voluntários do quartel onde andamos tinham dois carros para incêndio e uma ambulância de transporte de pessoas. Nós, em Portugal, pelo menos onde estivemos, tínhamos seis ambulâncias de socorro, sete de transportes clínicos, cinco carros de incêndio, um auto-tanque, um carro de comando, dois barcos e dois cães rufias que nos faziam companhia.

No que diz respeito a formações, nós tínhamos muito, mas muito mais. Além dos piquetes onde muitas vezes a gente tinha treinos, tínhamos também objectivos trimestrais já para não falar dos anuais. 

Porém, eles têm algo particularmente bom, na minha opinião, que são as fardas e o material em geral.

Não falta absolutamente nada. Nada mesmo. Todos têm direito a um equipamento de protecção individual (EPI) completamente novo, coisa que com nós não acontece. Acho deveras importante um bom equipamento e todas as peças importantes que ele traz. É muito chato quando uma pessoa é obrigada a vestir um casaco maior que nós ou mais pequeno, um capacete que não dá para apertar, umas luvas maiores que as nossas mãos...etc. 

Só nisto é que acho que eles realmente são melhores que nós. 

Para quem não sabe, Portugal é um dos países Europeus com maior numero de Bombeiros Voluntarios. 

Certo é, que boas e más pessoas existe em todo o lado, mas, para nós, somos sem duvida um povo mais caloroso, mais activo, mais profissional e amigo do próximo. 

Ser Bombeira Voluntária na Alemanha #3

Primavera, melhor altura para se fazer limpezas e arrumações no Quartel.

Todos foram chamados e a maioria compareceu. Bem, aquilo sim foi uma geral. Começou na cave e acabou no ultimo piso. Tudo ficou muito bem arrumado e as escadas foram muito bem lavadas.

No final do dia, fizemos o verdadeiro "Grill" com salsichas grelhadas na brasa... maravilha. Falávamos pouco mas gostávamos daquele convívio e só tínhamos pena que, ás vezes não sabíamos o que dizer e também nem sempre compreendíamos sobre os temas que os colegas falavam para a gente também se meter no meio das conversas.

Às vezes riam-se e a gente ria-se também. Olhava para ele e ele para mim e piscava-mos os olhos, do género, não percebi nada, mas tudo bem, vamo-nos rir também. Para nós até tinha a sua graça.

Contudo, alguns ainda puxaram conversa e lembro-me de ter comentado que o mais difícil para nós era saber todos os nomes dos materiais. Tudo o que era material dos Bombeiros e muitas outras coisas que dávamos nas instruções teóricas era um pouco difícil de compreender e mesmo de pronunciar. Eles admitiam sempre que o Alemão é complicado. Ainda bem que alguns tinham essa noção.

Num outro dia, um colega esteve a dizer os nomes de todo o material do carro de fogo. Bem, levamos uma injecção de nomes enormes, comecei então a escrever num papel.

Nós tínhamos de aprender à força toda, custa-se o que nos custa-se. Notei que todos ficavam a olhar, uns murmuravam e outros davam um ar de riso. Eu, como sempre, com um sorriso no rosto e muito entusiasmada pois achava na altura que ia conseguir. 

Compra-mos um livro, um livro de bolso, grosso e com 957 páginas, um bocadinho caro para dizer a verdade, mas era interessante e tinha bastantes nomes dos quais a gente deveria saber na ponta da língua, mas não bastava saber.

Tinha de os decorar e chegar ao quartel e saber pronuncia-los. Os colegas, supostamente deveriam ajudar de certa forma. Digo eu. Talvez estivesse errada.

Não podia ter este livro na minha cabeça em uma semana, aliás, em uma semana já me tinha esquecido do que tinha aprendido na anterior. Uma vez por semana não era absolutamente nada.

Tentei. Não li o livro todo. Acho que nem metade. Desisti. Desanimei. Estava a fazer uma coisa num local onde não era bem-vinda e se algum dia fosse seria daqui a muitos anos. Até lá, teria de fazer a Escola de Bombeiros, numa turma com mais de vinte Alemães.

Esqueçam. Desanima-mos. Ainda íamos passar pela "vergonha" de não fazer teste nenhum. A teoria era sempre o pior.

Por falar em teoria. A teoria deles aqui era, ligar um retroprojector e lerem, lerem muito.

Ler, ler e ler. Já quase no fim aparecia uma imagem. Cada um lia um pouco do que passava. Cada vez que chegava a nossa vez, nós não lia-mos. Era impossível. Cada palavra com mais de 10 ou 15 letras e muitas vezes perdia-mos o fio à miada, já nem sabíamos onde íamos e sobre o que era a leitura. Já para não falar na nossa pronuncia, no qual eles muitas vezes se riam e nós também. Levei muitas coisas na brincadeira, mas as vezes abusavam da sorte. 

Enfim...

E quando se ouvia, algures de lá do fundo:

- Mas o que ainda estão aqui a fazer?

- Sei lá, pergunta-lhes.

Chateava ver e ouvir certas atitudes.

Nesse dia, vínhamos embora a pé para casa e nenhum dos dois falou quase até meio do caminho. 

De repente, eu abracei-o e comecei a chorar. Ele também.

Chorei de tristeza porque poucos viam o nosso esforço, o apoio era quase que nenhum e pensar que quase com certeza não íamos conseguir ir até ao fim, deixou-me triste. Não era por eu até não gostar daquilo, mas não sabendo falar, não vamos a lado nenhum. Nenhum mesmo. Era preciso sorte, mas nós não a tivemos.

 

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