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Próxima Paragem

Próxima Paragem

Quando o longe se faz perto

Hoje, o meu sobrinho/afilhado faz anos de vida. Sete carinhosos anos.

Lembro-me dele não só diariamente, como também da Mãe dele, minha irmã, que hoje está mais feliz que nunca e com certeza com um sorriso rasgado de orelha a orelha.

Amo-os imenso e sinto a falta deles todos os dias. Fico triste por estar longe, mas não quero vir para aqui escrever lamechices.

A verdade é dura, é certo, mas eles estão bem e eu também. Isso é o que mais importa.

O menino bebé que vi, no primeiro dia, nas primeiras horas de nascença, está grande, bonito, saudável e cheio de energia para dar e vender. 

Cada vez mais inteligente, mais esperto e todos os dias aprender palavras novas. Fala que nem um tagarela, faz birra que nem um bebé pequenino, ri como uma criança feliz que é e dorme sossegado que nem um gato embrulhado num cobertor de pelos fofinhos, no nosso colo.

Na ultima vez que estive com ele, eu fui adormece-lo. Para quem não sabe, ele é um gozador de primeira, o que faz dele um menino cheio de troques e manias.

Lembro-me que lhe li uma história, conversei com ele, em cada palavra minha seguia-se um miminho na cara, pedi-lhe para que se portasse bem e obedece-se sempre à Mãe, que estudasse e come-se sempre tudo o que a Mãe lhe faz para ele levar para a escola.

Estão a ver, conversas de tias. Conversa também de quem não pode estar perto, mas que nem por isso o deixa de dizer cada vez que estamos juntos e mesmo quando falamos ao telefone.

Passado muito tempo, comecei a pensar que ele estava a demorar adormecer, ate que ele me pede para ir buscar um brinquedo e eu tive de fazer cara feia, pois a minha Mana já me tinha avisado:

- Atenção, que se ele não adormecer, provavelmente está a tramar alguma. Vai com certeza pedir qualquer coisa para poder brincar. 

Bem, visto a minha falta de experiência, disse para ele adormecer e que não ia buscar nada do que ele queria.

Ele, faz aquela carinha de menino triste e eu, levanto-me e vou ter com a minha irmã.

- Óh, mana, o rapaz não adormece e quer um brinquedo.

- Ahahahah, eu avisei. Deixa estar que ele comigo adormece.

Eu já sabia, ao tempo que estás lá dentro, ele só devia estar a dar-te gozo.

Visto isto, percebi bem melhor, que ele não é apenas inteligente e esperto, mas sim um verdadeiro sábio que sabe levar a tia.

Não foi nada de mais, mas deixou-me com a sensação de que perco muito por estar longe. Não o conheço como deveria e nem ele a mim.

Não o compro e não o obrigo a nada. Gosto de lhe perguntar o que ele gostaria de fazer e ir planeando algo que possa-mos fazer juntos. 

Sei que este Verão vamos fazer coisas super divertidas, juntamente com o meu irmão que tem oito anos.

Vamos brincar, rir, contar historias e vamos para além de tudo aproveitar o Verão. Estou feliz por já saber que vai ser divertido e ele vai estar todo contente e entusiasmado.

São poucos os momentos juntos, mesmo quando estou em Portugal não consigo passar todos os dias com ele, para minha tristeza, mas espero que lhe fique na lembrança, assim como a mim me fica, cada minuto juntos.

Quero, para além de tudo que ele saiba sempre que tem aqui a Tia, a Madrinha, a amiga, conselheira e companheira de aventuras que embora longe, está perto.

Ao som de uma chamada ou de uma mensagem e de imagens, o longe se faz perto. Que ele tenha sempre atitude bonita de nunca se esquecer destas palavras e de as praticar sempre.

Amo-te. Parabéns meu querido.

Vive não só este dia, mas todos intensamente e com o sorriso lindo que só tu sabes dar e receber.

 

 

 

 

Comer a marmita no comboio

Bem o comboio chegou.

Entrámos, alguns cheios de pressa porque querem arranjar o melhor lugar e outros, como eu, sossegados, só querem um lugar qualquer para sentar e dobrar as pernas que já doem de tanto andar.

Lá encontro um lugar de vago onde estão mais três pessoas, uma ao meu lado e duas à frente.

Bem, visto que estou bem acomodada, chega a hora tirar a minha tão desejada marmita para fora da mochila, que em geral tem uma banana, um pão de cereais com queijo, fiambre e alface, ao lado tem um taparuer com tomates cherry e um outro taparuer com uma laranja cortada com o garfo de companhia.

É, eu gosto de comer com garfo as frutas que levo. Sem garfo, é só quando tenho frango assado na brasa e de preferência sozinha ou com alguém que já me conhece.

Adiante, não vá começar a crescer-vos agua na boca.

Bem, fico ali tranquila a comer. Mas, não estou a dormir (muito embora é o que mais deseje).

Ora de um lado, ora do outro, tem sempre alguém que gosta de olhar para mim mais que uma vez ou então olha pelo reflexo do vidro. Não me faz grande diferença, é verdade. Mas, quando tiro o garfo (de sobremesa) para fora, olham mais que duas pessoas para mim.

Será que mete medo? Será o garfo, a arma do século? 

Bem, para a laranja é com certeza.