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Próxima Paragem

Próxima Paragem

Só os melhores trabalharam ontem

Ontem, enquanto uns cometiam o grande pecado pela quebra de alguns dos dez mandamentos, como matar e roubar, entre outros...

(Sim! Porque houve ainda quem morresse ontem! Assim como outros que foram assaltados e viram as suas casas apenas com a metade das coisas que elas tinham dentro.)

...muitas pessoas estiveram, na mais pura inocência, a praticar e com muito prazer, o primeiro pecado capital.

Enquanto os melhores trabalhadores davam ao duro, trabalhando arduamente, outros, por sua vez, ligavam dizendo que não podiam ir trabalhar pelos motivos mais parvos e inimagináveis.

Ainda bem que não é só na Páscoa que se está com a família.

Ufa! Que sorte.

Coisas que me revoltam e magoam

O acidente de doze Portugueses nas estradas de França chocou não só os Portugueses que vivem em Portugal como os emigrantes Portugueses espalhados pelo mundo fora.

Foi um acidente. Ninguém previa. Foi uma triste e infeliz falha do destino, creio eu.

Os meus pêsames ás famílias que neste momento só precisam de força.

Pego nesta noticia para vos dizer o que penso e dar-vos a entender umas das coisas que revoltam não só a minha pessoa, como muitas outras que são, assim como eu, emigrantes.

Antes de tudo acontecer imagino a felicidade de doze Portugueses felizes por voltarem ao País Natal onde nasceram e cresceram, matando saudades dos que deixaram assim como sentindo a felicidade de estarem prestes a pisar solo Português.

Emigrantes, que lutam diariamente por uma vida melhor, uma vida mais estável, com futuro e com uma melhor estabilidade em geral. Uns querem pagar as suas casas, outros pagar dividas, outras apenas juntarem um pouco de dinheiro pensando no futuro. Muitos porque não encontram um bom trabalho em Portugal, decidem partir na aventura e viver a experiência do que é estar fora e ver de perto a realidade destes tempos. Mais de mil e muitos motivos que levam todos os anos milhares e milhares de pessoas a sair do País que as viu nascer. Posso mesmo dizer, sejam pessoas de Portugal ou outro País qualquer. 

Agora, sem querer ferir corações, até porque esta é uma mera opinião de quem está fora e também uma grande realidade, expliquem-me o porquê de só aparecer acidentes, relativos a emigrantes portugueses com destino a Portugal?

Já alguém notou que nunca se vê ou se escuta, acidentes de Portugueses que viajaram para tal País, para visitar a família ou mesmo um familiar que há muito não volta a Portugal? 

Digo isto, no sentido em que, os emigrantes, independentemente dos motivos que os faz estar fora, são sempre os que têm a "obrigação" de ter dinheiro e o "dever" de ir todos os anos a Portugal.

Quero eu dizer, que muitos não têm a noção do que muitas vezes se passa cá fora, como falta de emprego, pois existem milhares de portugueses que estão fora e desempregados recebendo o que qualquer português recebe no seu próprio País, assim como tem emigrantes que se matam e matam a trabalhar para poder ir a Portugal e ninguém dá sequer valor ao esforço, que a pessoa fez durante todo o ano para poder estar com quem?

Com a família essencialmente. 

Família que, em muitos destes casos, esta mais de dois, cinco e dez anos sem visitar o familiar emigrante, tudo porque não tem tempo ou dinheiro e quem sabe saudade. Sim! Porque quem esta fora sente a saudade a 200% ao contrário de muitos que estão em Portugal. Falo apenas daqueles que tem saúde para ainda poder fazer viagens, que para muitos, duram mais que um dia de carro.

Muitos familiares, amigos e algumas pessoas em geral têm sempre a ideia de que quem está fora, tem o "compromisso" de visitar Portugal. Ora porque estão fora e estão ricos, ora porque eles é que estão bem e vivem a grande.

Meus caros, existe ainda muito português que não mete os pés em Portugal há imensos anos, por vários motivos. Assim como tem famílias que não se interessam por aqueles que deixaram tudo por uma vida melhor. Não ligam, não escrevem, não visitam e muitos nem perguntam ou se lembram. 

Muitos emigrantes, não vivem há grande. Podem sim, receber um pouco mais, mas isso não quer dizer que não cheguem ao fim do mês e fiquem com o mesmo dinheiro que qualquer português fica em Portugal, pois têm muitas vezes o dobro das despesas do que em Portugal. Isto existe meus caros! Não estou aqui a fantasiar.

O pouco ou nada, que eventualmente possa sobrar é para alguns juntarem e poderem voltar ao seu País.

Ora seja na Páscoa, Natal ou mesmo no Verão.

Dou-vos um exemplo. Eu, tive uma vez, de pagar mais de setecentos euros por um bilhete de avião, isto porque a minha entidade patronal demorou um pouco mais a dar as minhas férias e tive de comprar o bilhete quase a ultima da hora. Muitas vezes, prejudica-mos o nosso próprio trabalho, pois a entidade patronal de cada um não é sequer obrigada a dar férias seja no Natal, Páscoa ou casamentos de familiares só porque somos emigrantes. Alguma vez viram algum português, em Portugal, a pedir como nós fazemos, para dar ferias seja no Natal, na Pascoa ou outras alturas para visitar o familiar que esta fora? Contam-se pelos dedos. Algumas vez ligam para a entidade patronal com mentiras que não magoam ninguém, para poder faltar e assim passar mais tempo com quem acabou de chegar? Nunca!

Alguma vez, alguém em Portugal, perdia um avião com destino a Inglaterra, por exemplo, e dava trezentos euros no momento para poder viajar no próximo avião? Tudo para poder ver a família que esta longe? Tudo porque esperou ansiosamente o momento da chegada, a surpresa, os abraços, os sorrisos, a alegria, a lágrima no canto do olho, os presentes comprados a pensar nas pessoas que mais nos são importantes? Em muitos casos, nunca na vida.

Certo é que muitos podem até não ter possibilidades para tál, mas será mesmo assim?

Pois...eis a questão! Pior é quando a gente sabe que não é assim.

É e será sempre para mim uma tristeza, ver que muitos emigrantes Portugueses se matam a trabalhar, a comprar presentes para levar e chegando lá deparam-se muitas vezes com comentários tristes e infelizes. Assim como se deparam com familiares, amigos e afins, a não mudarem um minuto sequer as suas rotinas diárias para estar com quem fez um esforço enorme, e repito, enorme, para estar com quem lhes são queridos. Não mudam hábitos, atitudes, manias e feitios. Continuam nas suas vidas como se nós, os "ricos", não percebêssemos que na verdade estamos muitos vezes a mais e que aquele que seria o reencontro é apenas um descobrimento. Conheço casos que dariam tristes livros de histórias assim como grandes livros com lições e aprendizagens de vida.

Não sou das mais privilegiadas, mas não me posso queixar. Quem eu amo está lá e vem cá sempre que pode e isso chega-me, mas infelizmente, como muitos emigrantes Portugueses como eu e não só, não é assim.

Alguns dos que estão em Portugal e outros países não sabem, não entendem e nunca vão sentir na pele o esforço que fazemos para visitar quem nos é querido, assim como nunca saberão dar o verdadeiro valor do que é fazer horas e horas de viagem esperando um abraço de quem temos uma saudade enorme. Saudade essa que em nenhum segundo nos deixa em Paz.

Ainda há muita gente que precisa de uma lavagem cerebral, a ponto de perceber muitas das coisas que sentimos na pele.

Lamentável. Mesmo lamentável. 

Voltei, mas preferia ter ficado por lá

Olá meu caros =)

A verdade é que ainda não me acostumei a minha rotina, embora senti-se saudade dela.

Há duas semanas que já cheguei de férias. A primeira semana (ainda de férias) foi para me acostumar a estas temperaturas que têm vindo a mudar de uma forma lenta (mas mesmo muito lenta) mas que já se fazem notar. Foi também a semana da depressão. Sim, porque férias como as que eu tive não são fáceis a ponto de retomar uma rotina como a minha, assim como chegar a Alemanha e sentir os seis graus célsius na pele bronzeada e ainda quente desta tão grande viagem, mas podia ser pior. Podia estar graus negativos!!! Tenho sempre de ver o lado positivo da coisa.

Na segunda semana, já comecei a trabalhar e habituar-me a estes horários da noite que me fizeram dormir horas e horas a fio, sem ter vontade de fazer fosse o que fosse cada vez que me levantava fosse da cama ou fosse do sofá. Foram duas semanas de "morte". Acho que já passou. Já me habituei novamente a estes dias, que como disse, até tinha saudade muito embora me tivesse custado um bocado bem grande.

Pois bem, cá estou para vos falar das minhas férias na Tailândia. 

Foram os melhores dias da minha vida até este momento. Estas férias vão ficar marcadas para o resto da vida, assim como a vontade de voltar também. Podem acreditar que vou fazer por isso.

Nunca tinha sentido ou respirado ar de um clima tropical, embora já soubesse que seria abafado. 

Durante dez horas num avião todo muito bem decorado, com um cheiro maravilhoso e ar condicionado ligado nem dei por mim sequer a imaginar como seria o tempo quando chegasse a Tailândia. Estava muito bem instalada e atenta aos filmes e musicas que ia ouvindo que nem me passou pela cabeça as temperaturas de lá de fora, quando chegasse a terra.

Ora, o avião aterrou. Para já nada de mais. Arranjo-me para sair, comprimento a hospedeira com um "sawadee ka" unindo as palmas das mãos abaixo da boca, como aprendi e no exacto momento em que fico no vão da porta do avião, ainda sem meter os meu pés na escada, senti um calor, mas um calor descomunal que me custou até a respirar! Era tão abafado, mas tão abafado que parecia estar entrar numa sauna com mais de cem graus célsius. Credo!!! Estava a ver que ia morrendo. Para dizer a verdade, foi estranho. Isto tudo na escala que fiz em Bangkok, mas não muito diferente da sensação que foi em Krabi. Os primeiros dois dias foram para adaptação ao clima. Até de manha, mal eu abria a porta do quarto do hotel, ás sete da matina, já estavam vinte e cinco graus e a sensação era incrível. Acho que foi das coisas mais estranhas que senti, ainda mais eu, que abafo facilmente. 

Os dias passaram devagar, tivemos tempo para tudo e posso dizer que fizemos tudo o que queria-mos.

Tivemos experiencias incríveis e únicas e a mais especial foi mesmo o banho que demos a um elefante bebé de seis anos, chamado Bejha. Adorei, adorei, adorei o contacto com os elefantes especialmente este.

São extremamente dóceis. Tocar nele foi fabuloso. Tinha uma pele dura e encorrilhada (ainda só tinha seis anos), tinha também alguns pelos ligeiramente afastados uns dos outros e estes eram super duros.

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Estive a a dar-lhe banho com uma escova, mas a verdade é que me apetecia brincar com ele como se brinca com os cães, porque achei mesmo que o à vontade dele era exactamente o mesmo que o de um cão quando lhes damos banho. Ele brincava com nós (éramos quatro pessoas), ele deitava-se com a cabeça debaixo da água, notei que prestava atenção aos nossos movimentos e gostava. Até mesmo ele estava feliz e isso nota-se. Nem sei bem explicar, foi de mais.

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Não vou esquecer nunca, muito menos da imagem com que fiquei dos elefantes em geral. Digo isto porque tem quem diga que eles são mal tratados e o certo é, que se forem, não serão á frente dos turistas, mas eu não achei de todo que eles fossem mal tratados. Foi bom conhecer os elefantes de perto e dar-lhes bananas também foi divertido.

Fizemos muitos vezes snorkeling e vimos peixes de todas cores. Ora amarelos ás riscas pretas, ora azuis escuros e claros, cinzentos com pintas brancas, cor-de-laranjas como o Nemo, imensos ouriços do mar gigantes, os corais em geral eram lindíssimos e as águas mesmo em alto mar deviam rondar os vinte e quatro graus à vontade. 

A comida na Tailândia é maravilhosa... desde os peixes, ás coxas e peitos de frango assadas na brasa, ás massas e arroz (que amei), ás frutas (suculentas) até aos batidos de frutas naturais que todos os dias bebia. Para além de ser tudo muitíssimo barato era tudo mesmo muito, muito bom.

Foram onze dias incríveis em que as temperaturas rondavam entre os trinta e quatro e trinta oito graus e em que o sol quase, me fez uma queimadura de primeiro grau e sabem aonde????? 

Na ponta do meu nariz! Tipo, ponta do meu nariz? Mas porquê? Tenho fotos em que parece que tenho uma batata vermelha em vez de um nariz. Enfim, nem o protector ajudou, nem os cremes depois dos dias longos de praia e muitos deles a "fugir" do sol. 

Tenho imensas aventuras que vos contarei ao longo dos meus posts. Espero que gostem.

Para já, continuação de um bom fim de semana e uma boa Páscoa.

Ate já,

Próxima Paragem.

Estou de partida meus caros Leitores

Já tenho tudo preparado.

Amanha vou apanhar o comboio que me vai levar até o Aeroporto de Frankfurt, de lá, começa as dez horas da minha tão desejada viagem.

Esperei um ano e meio para a realizar. Vou com algum medo. Já gostei mais de andar de avião, mas acredito que vai correr tudo bem. Sinto-me ansiosa e muito entusiasmada. Aliás, estamos os dois.

Ansiosa para chegar ao destino, ver coisas que nunca vi, ouvir uma língua que nunca ouvi, provar o que nunca provei, dar uns bons mergulhos, fazer snorkelling ao lado de peixinhos coloridos,  fazer loucuras (não será loucura, mas depende do ponto de vista), ter momentos incríveis, únicos e muito especiais, conhecer uma cultura diferente com abundantes tradições, assim como o encanto e os mistérios da natureza num clima tropical.

Por uns bons dias não terão noticias minhas. Estarei muito ocupada a viver as minhas férias de sonho ou posso mesmo dizer, o meu sonho...

Assim vos deixo, mas eu volto com novos capítulos, que terei com muito gosto e privilégio de partilhar com vocês...

Tailândia, já me espera...

Aqui vou eu....

Até já...

Ser Bombeira Voluntária na Alemanha #7

Um dia, ainda no Verão, em que supostamente era de instrução, lá fomos nós alegres e contentes para mais uma aventura naquele Quartel. Eu lembro-me de ter dito para irmos para o lago, afinal o telemóvel apontava 35gruas mas não, não fomos para o lago. Fomos para o Quartel e para o nosso espanto a instrução seria passada onde?? A onde?? No lago meu caros.

- Uau... vamos fazer alguma coisa em especial? Sei lá, mergulho ou assim?!!

Vamos ou melhor fomos, mas só nadar e jogar á bola.

Engraçado, eu só conheço instruções em que se não há treinos teóricos ou práticos, no mínimo iremos fazer desporto. Tipo correr na praia por exemplo, que faz tão bem ás perninhas. 

Aqui não. Aqui fomos para o lago. Antes o Comandante passou na nossa casa para a gente levar as vestimentas de banho, mas para meu espanto, nenhum dos homens levou vestimentas apropriadas, só mesmo as meninas e o meu companheiro.

Fiquei chocada!!! O meu Comandante sem nada? Todos sem nada? Completamente nus???? Como????

Tive de fazer de conta. Não olhava para mais nada a não ser para a cara deles, só e apenas quando falavam para mim. Juro que fiquei incomodada. Se não os conhecesse era uma coisa, agora, um Corpo de Bombeiros assim??? Desculpem, nunca vi e dispenso.

Sabem o que eles não fazem aqui que em Portugal fazemos e com muito gosto? 

Marcha. Marchar. Aprender e saber a marchar. Estar em condições numa formatura.

E perguntam-me vocês

- E aí?

Aqui até nos gozaram quando disse-mos que fazíamos marcha e os respectivos movimentos com os machados (ordem unida é o nome)... que fazíamos continência cada vez que passasse um graduado, alguém com um posto "importante". Respeito é esse o sentido, mas eles riam-se e diziam que isso era antigamente, agora não. Eu só pensava com os meu botões, que existem coisas que na Alemanha mudaram tanto e outras não mudaram absolutamente nada, infelizmente.

O tempo passou. Cada vez mais tinha vontade de sair de lá. 

Um dia foi o aniversário do Quartel. Foi giro. Fizeram uma pequena festa, com algumas actividades, para a comunidade local e até para crianças. O meu mano, que na altura tinha sete anos também foi e participou.

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Havia também uma tômbola para quem quisesse jogar e ganhar aqueles prémios que não interessam a ninguém. Era mais uma forma de chamar atenção.

Eu, por breves momentos, estive a "cuidar" dos meninos, dos cadetes.

Havia um género de uma casa feita em madeira, com desenhos nas janelas em forma de chamas a sair das mesmas. Os miúdos podiam utilizar a mangueira para, no imaginário deles apagarem o fogo.

Foram momentos engraçados, é uma verdade. Os miúdos adoraram aquilo.

Os cadetes, não eram apenas crianças pequenas. Há também jovens entre os treze e os dezasseis anos que sabem muito bem o que estão ali a fazer e sabem também que eu não falo perfeitamente bem.

Só a minha pronuncia, consegue mudar o sentido de uma ou mais palavras.

Estão a imaginar o que é eu pedir para eles pararem de atirar água para a terra (pois enlameava tudo) e eles continuavam? Uns diziam que não percebiam o que eu diziam, outros riam-se a olhar para mim com ar de gozo e continuavam e outros nem sequer ouviam.

Eu a dizer que ia fazer queixa à responsável deles (que tinha ido almoçar) e eles não me ligavam nenhuma. Não estava ali a fazer nada. Foi uma hora um pouco aborrecida. 

Lembro-me que alguns homens bombeiros puxaram um carro de fogo com uma corda e o meu companheiro fez parte desse esforço. Muito me ri. Sei que ele gostou muito de lá estar e ter relembrado tantos momentos passados.

O dia foi de festa, mas como todos os dias, este também terminou.

O que até hoje escrevi foi sem duvida o que mais me marcou.

O que me lembro, pois muitas coisas fui esquecendo com o tempo e foi melhor assim.

Sei também que, o que me fez desistir definitivamente foi um colega, numa instrução que estávamos a ter.

Nesse dia eu tinha tudo menos vontade de ir, mas lá fui. Sabia que faltava muito pouco para desistir, azar ou sorte, foi este o meu ultimo dia.

Todos se fardarão. Íamos todos fazer um treino puxado. Como se o Quartel fosse um apartamento e tudo estivesse arder. Devidamente fardados, com o aparelho respiratória isolante de circuito aberto (arica) ás costas e mangueira na mão, lá subimos as escadas.

Creeedo!!! Estava a morrer de calor, mas sei que isso era normal. Admito que fiquei muita cansada, para não dizer exausta. 

Fizemos tudo certo e no final desse treino o Comandante reuniu todos e começou a falar de outra tarefa que íamos fazer em seguida.

Eu fiquei com um rapaz, no qual até simpatizava, mas existia ali uma ligeira empatia, pois cada vez que passei por ele (e muitos outros) na rua, nunca mas nunca me cumprimentava. Estou a falar de uma pessoa que passa ao meu lado, não de uma que está do outro lado da estrada meus caros leitores. É desagradável e não existe essa necessidade de ser antipático comigo. Tudo bem. Nada a fazer.

Todos começaram a fazer coisas, depois do Comandante ter falado qual seria o exercício e eu, para variar não percebi patavina. Nada. Absolutamente na-da de na-da. 

Sabia que tinha de ir buscar um material, mas qual não sei. Bem podiam dizer o nome cem vezes, com tanto material ali eu não saia do lugar. De repente, o meu tal colega diz para eu ir buscar uma coisa dentro do carro de fogo. 

Eu fui, peguei em três coisas e perguntei:

- É alguma destas?

-Não, é (...).

Eu só m perguntava "Hã? Mas que raio é isso?", tornei a fazer o mesmo.

Peguei em algumas coisas e perguntei se era alguma daquelas.

Ele, entra pelo carro dentro e com ar de mau, mas mesmo mau e mesmo a bruto, diz ferozmente:

- Tens de aprender. Tens de estudar. Já andas aqui à muito tempo.

Só faltava acrescentar "És burra? Aprende. Não percebes nada do que te digo sua burra". Esquecendo assim o esforço que eu fazia para estar ali, a tentar levar as coisas com calma e aprendendo todas as semanas coisas diferentes.

Caldo entornado. Bastou. Para mim chega. Desisto. As lágrimas escorreram-me pela cara enquanto ainda fiquei no carro com todos atarefados do lado de fora. Limpei-as e sai de lá de dentro. Tentei ajudar, movimentar-me fosse para que lado fosse, para disfarçar. 

Estava completamente a suar com o calor. Queria largar tudo e sair daquele lugar. Não ver mais ninguém, nem ouvir aquelas vozes. Apetecia-me chorar, chorar e chorar. Foi triste, magoou-me eu não estava a espera de uma reacção como aquela. Algum dia, ele e muitos como ele vão perceber o que é ser voluntário? Ajudar o próximo? Ser acessível e perceber o verdadeiro significado de camarada?

A mim não me parece. Eu até podia falar perfeito, pois acho que muitos daqueles são tudo menos o que acabei de descrever. São sim egoístas, teimosos, gostam de disputar com postos/graduações e tem a mania da superioridade.

No fim, todos se reuniram para o Comandante falar. As lágrimas não escorreram no momento, mas tinha os olhos cheios de água. Tinha de sair de lá. Não queria que percebessem, muito embora acho que o Comandante se apercebeu, mas também não disse nada e ainda bem. Não havia nada para dizer. Só queria desaparecer e até hoje, nunca mais meti os pés naquele quartel.

Definitivamente têm de aprender muito até serem um bocadinho daquilo que somos, fazemos e aprendemos. Vocês podem achar isto combatividade, mas não é, de todo que não, é sim a realidade daquilo que vi e penso.

Terminou assim a minha pequena/grande passagem por um, dos tantos Bombeiros Voluntários daqui da bela cidade de Leipzig, que em breve vos falarei sobre ela. Esta que é uma cidade linda, desde os jardins até ao lago.

 Espero que tenham gostado. 

Até à próxima.

Próxima Paragem.