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Próxima Paragem

Próxima Paragem

Coisas que me revoltam e magoam

O acidente de doze Portugueses nas estradas de França chocou não só os Portugueses que vivem em Portugal como os emigrantes Portugueses espalhados pelo mundo fora.

Foi um acidente. Ninguém previa. Foi uma triste e infeliz falha do destino, creio eu.

Os meus pêsames ás famílias que neste momento só precisam de força.

Pego nesta noticia para vos dizer o que penso e dar-vos a entender umas das coisas que revoltam não só a minha pessoa, como muitas outras que são, assim como eu, emigrantes.

Antes de tudo acontecer imagino a felicidade de doze Portugueses felizes por voltarem ao País Natal onde nasceram e cresceram, matando saudades dos que deixaram assim como sentindo a felicidade de estarem prestes a pisar solo Português.

Emigrantes, que lutam diariamente por uma vida melhor, uma vida mais estável, com futuro e com uma melhor estabilidade em geral. Uns querem pagar as suas casas, outros pagar dividas, outras apenas juntarem um pouco de dinheiro pensando no futuro. Muitos porque não encontram um bom trabalho em Portugal, decidem partir na aventura e viver a experiência do que é estar fora e ver de perto a realidade destes tempos. Mais de mil e muitos motivos que levam todos os anos milhares e milhares de pessoas a sair do País que as viu nascer. Posso mesmo dizer, sejam pessoas de Portugal ou outro País qualquer. 

Agora, sem querer ferir corações, até porque esta é uma mera opinião de quem está fora e também uma grande realidade, expliquem-me o porquê de só aparecer acidentes, relativos a emigrantes portugueses com destino a Portugal?

Já alguém notou que nunca se vê ou se escuta, acidentes de Portugueses que viajaram para tal País, para visitar a família ou mesmo um familiar que há muito não volta a Portugal? 

Digo isto, no sentido em que, os emigrantes, independentemente dos motivos que os faz estar fora, são sempre os que têm a "obrigação" de ter dinheiro e o "dever" de ir todos os anos a Portugal.

Quero eu dizer, que muitos não têm a noção do que muitas vezes se passa cá fora, como falta de emprego, pois existem milhares de portugueses que estão fora e desempregados recebendo o que qualquer português recebe no seu próprio País, assim como tem emigrantes que se matam e matam a trabalhar para poder ir a Portugal e ninguém dá sequer valor ao esforço, que a pessoa fez durante todo o ano para poder estar com quem?

Com a família essencialmente. 

Família que, em muitos destes casos, esta mais de dois, cinco e dez anos sem visitar o familiar emigrante, tudo porque não tem tempo ou dinheiro e quem sabe saudade. Sim! Porque quem esta fora sente a saudade a 200% ao contrário de muitos que estão em Portugal. Falo apenas daqueles que tem saúde para ainda poder fazer viagens, que para muitos, duram mais que um dia de carro.

Muitos familiares, amigos e algumas pessoas em geral têm sempre a ideia de que quem está fora, tem o "compromisso" de visitar Portugal. Ora porque estão fora e estão ricos, ora porque eles é que estão bem e vivem a grande.

Meus caros, existe ainda muito português que não mete os pés em Portugal há imensos anos, por vários motivos. Assim como tem famílias que não se interessam por aqueles que deixaram tudo por uma vida melhor. Não ligam, não escrevem, não visitam e muitos nem perguntam ou se lembram. 

Muitos emigrantes, não vivem há grande. Podem sim, receber um pouco mais, mas isso não quer dizer que não cheguem ao fim do mês e fiquem com o mesmo dinheiro que qualquer português fica em Portugal, pois têm muitas vezes o dobro das despesas do que em Portugal. Isto existe meus caros! Não estou aqui a fantasiar.

O pouco ou nada, que eventualmente possa sobrar é para alguns juntarem e poderem voltar ao seu País.

Ora seja na Páscoa, Natal ou mesmo no Verão.

Dou-vos um exemplo. Eu, tive uma vez, de pagar mais de setecentos euros por um bilhete de avião, isto porque a minha entidade patronal demorou um pouco mais a dar as minhas férias e tive de comprar o bilhete quase a ultima da hora. Muitas vezes, prejudica-mos o nosso próprio trabalho, pois a entidade patronal de cada um não é sequer obrigada a dar férias seja no Natal, Páscoa ou casamentos de familiares só porque somos emigrantes. Alguma vez viram algum português, em Portugal, a pedir como nós fazemos, para dar ferias seja no Natal, na Pascoa ou outras alturas para visitar o familiar que esta fora? Contam-se pelos dedos. Algumas vez ligam para a entidade patronal com mentiras que não magoam ninguém, para poder faltar e assim passar mais tempo com quem acabou de chegar? Nunca!

Alguma vez, alguém em Portugal, perdia um avião com destino a Inglaterra, por exemplo, e dava trezentos euros no momento para poder viajar no próximo avião? Tudo para poder ver a família que esta longe? Tudo porque esperou ansiosamente o momento da chegada, a surpresa, os abraços, os sorrisos, a alegria, a lágrima no canto do olho, os presentes comprados a pensar nas pessoas que mais nos são importantes? Em muitos casos, nunca na vida.

Certo é que muitos podem até não ter possibilidades para tál, mas será mesmo assim?

Pois...eis a questão! Pior é quando a gente sabe que não é assim.

É e será sempre para mim uma tristeza, ver que muitos emigrantes Portugueses se matam a trabalhar, a comprar presentes para levar e chegando lá deparam-se muitas vezes com comentários tristes e infelizes. Assim como se deparam com familiares, amigos e afins, a não mudarem um minuto sequer as suas rotinas diárias para estar com quem fez um esforço enorme, e repito, enorme, para estar com quem lhes são queridos. Não mudam hábitos, atitudes, manias e feitios. Continuam nas suas vidas como se nós, os "ricos", não percebêssemos que na verdade estamos muitos vezes a mais e que aquele que seria o reencontro é apenas um descobrimento. Conheço casos que dariam tristes livros de histórias assim como grandes livros com lições e aprendizagens de vida.

Não sou das mais privilegiadas, mas não me posso queixar. Quem eu amo está lá e vem cá sempre que pode e isso chega-me, mas infelizmente, como muitos emigrantes Portugueses como eu e não só, não é assim.

Alguns dos que estão em Portugal e outros países não sabem, não entendem e nunca vão sentir na pele o esforço que fazemos para visitar quem nos é querido, assim como nunca saberão dar o verdadeiro valor do que é fazer horas e horas de viagem esperando um abraço de quem temos uma saudade enorme. Saudade essa que em nenhum segundo nos deixa em Paz.

Ainda há muita gente que precisa de uma lavagem cerebral, a ponto de perceber muitas das coisas que sentimos na pele.

Lamentável. Mesmo lamentável. 

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