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Próxima Paragem

Próxima Paragem

Coisas que não me comovem

Quem diz comover, pode dizer também tocar no meu coração.

Num canto qualquer do mesmo, ele não se comove.

Existe um programa de televisão (e os canais brasileiros são peritos nestes género de canais), onde passam histórias de vida que vale a pena ver, ouvir e entender os motivos que levam as pessoas a fazerem certas coisas na vida.

Gosto de ver, embora não sou de ficar a espera do próximo episódio. 

Quando falam em situações de Mães ou Pais que abandonam os filhos as histórias na sua grande e repito, grande, maioria não me dizem nada. Não falo daqueles que deixam os filhos com alguém, mas que apesar de tudo são pais presentes. Pais que ligam, escrevem, aparecem, dão a cara, preocupam-se. Estes ainda consigo compreender, muito embora eu tenha de perceber primeiro o motivo que os levou a fazer tal coisa, até lá, ainda vai um bom caminho. Conheci um casal que deixou o filho no Brasil com os avós e vieram trabalhar para Alemanha e todos os dias falam pelo Skype, têm longas conversas, enviam dinheiro todos os meses, falam do filho a toda a hora, choram de saudade, são preocupados e não querem que falte nada não só ao filho como aos avós do mesmo.

Pensam no futuro deles e no do filho. Até aqui, sou capaz de compreender, mas não posso negar que me dá um nó na cabeça, porque me faço mil e uma perguntas sem respostas lógicas. Mas ok.

O meu lado compreensivo dá gás e dou um desconto.

Agora aqueles que abandonam tudo e passado uns anos largos, decidem aparecer e dizer o quanto os amava e o quanto sentiram a falta dos filhos, já é outra história, no meu ponto de vista.

Cada história é uma história e independentemente do motivo que os leva a abandonarem os filhos, o motivo existe. Está lá. Por muito que eu não concorde, aceite ou sequer acredite. 

Acho tão fácil, mas tão fácil, chegar uns anos depois e ver os filhos criados. 

Pior é quando vêm com histórias de que não tinham dinheiro para os criar , deixaram os filhos com alguém para poder emigrar e simplesmente nunca, mas nunca mais ligaram aos filhos. Fazer filhos realmente é muito fácil, mas vejo que abandona-los também.

Na televisão aparece o reencontro.

Que lindo! Tanta emoção! 

- Agora nunca mais te vou deixar. - Dizem eles/elas.

Derramados em lágrimas e fotos antigas. 

Menos, muito menos por favor.

É fácil, não é? Filhos que já não fazem birras, não choram por tudo e por nada, não sujam, já dormem sossegados sem incomodar ninguém, já foram para o infantário, já fizeram o secundário, a faculdade, até já são doutores.

Já não chateiam a pedir dinheiro, comida, livros, roupa... já são homens/mulheres feitas!

Uau! 

Que orgulho! Agora choro, peço desculpa e dou-te aquele abraço que nunca te dei.

Poupem-me.