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Próxima Paragem

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Ser Bombeira Voluntária na Alemanha #2

Existe ainda muitos jovens como Bombeiros Voluntários mas só dois ou três é que volta e meia puxavam um pouco de conversa com nós, mas as nossas conversas nunca foram muito fluidas, porque existe sempre aquela altura em que já não sabíamos as palavras certas para falar, é difícil explicar.

Não sabíamos e nem tínhamos ideia sequer de como poderia ser a tal palavra que deveria, supostamente estar ali naquela pequena conversa e por fim lá ia tudo pela água abaixo. Fora a parte em que se notava que eles não tinham muita paciência para nos ouvir.

Uma coisa é o que a gente aprende na escola de Alemão, outra é falar sobre assuntos específicos, ainda mais com pessoas que não são muito abertas a conhecer estrangeiros, muito menos em locais como estes em que a disputa do melhor entre eles é enorme, pois é assim em qualquer Corporação.

Além de que, não pertence-mos aqui. É verdade.

Começamos a frequentar o Quartel todas as semanas. Como sempre, a gente ia de bicicleta e aprendíamos mais que duas mil palavras por minuto. Não tive-mos farda nos primeiros três meses, mas depois lá nos arranjaram umas fardas já usadas. 

Fizemos muitos exercícios principalmente simulacros, muitas vezes até com outras corporações. Um dos quais, num campo onde havia uma casa já em ruínas. Lembro-me que foi apenas com um casaco, luvas e um capacete de um Bombeiro.

Começa-mos a correr e a puxar as mangas para apagar o suposto fogo. Adorei aquele dia. Deixaram-nos andar à vontade, como se nos tivessem a testar, mas também nos ajudavam quando era necessário, principalmente quando nos davam uma ordem e a gente ficava como "um burro a olhar para um Palácio"...estão a imaginar?

Ufa...ainda bem que era um treino/simulacro só entre Bombeiros, sem o "povinho" a ver.

Na imagem que se segue, vemos elementos de outra corporação. Visto que a viatura de incêndio deles não tinha um tanque de água, foi criada uma espécie de reservatório de água (água esta que vinha das bocas de incêndio) de onde puderam retirar a mesma através de uma bomba e dessa forma fazerem o suposto ataque ao incêndio.

Nunca tinha visto isto antes. Foi preciso vir aqui à terrinha da Senhora Merkel.

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Esta foi a foto, mais bonita daquele dia. Ficou na memória. Bons momentos para nós. Deu para recordar os nossos tempos, em Portugal. 

Ficamos ali pelo menos umas três horas. No final, guardámos todo o material e voltamos ao Quartel.

Não me lembro se neste dia a gente jantou lá, mas havia dias em que ficávamos por lá depois dos treinos/instruções e comia-mos o verdadeiro pão com salsicha, bem típico Alemão. Não, não jantávamos lá muitas vezes. Preferíamos comida de lume ou então, se as salsichas fossem assadas na brasa como eles de vez enquanto faziam, ai sim, ficávamos e repetíamos. Eram e são maravilhosas, ainda mais se as salsichas forem de Thüringen, a verdadeira cidade delas.

Lembro-me de situações boas, engraçadas e outras menos simpáticas, como por exemplo, quando o Comandante nos deu uma farda, a cada um de nós.

Fomos buscar as ditas fardas com um colega, igualmente Bombeiro. Estiveram a tirar as nossas medidas e a gente lá veio com tudo completamente novinho. Desde as luvas, calças, camisolas, t shirt´s, gorro, casaco, capacete e botas.

Quando chegou o dia da instrução e nos fomos fardar, ouve colegas que olharam para nós de cima abaixo, abanaram a cabeça e começaram a falar entre eles, do género:

"- Não sabem falar e já têm farda? Tem outros que estão aqui a mais tempo e ainda não a têm e eles chegam aqui e é tudo deles?" 

Pode-mos não saber falar bem, mas percebemos muito, principalmente eu e certo é, que estar num local onde não sou bem vinda, não é de todo fácil de encarar e muito menos ter "sempre" um sorriso na cara para quem me quer ver longe.

Nunca pedi-mos uma farda, se nos deram é porque assim o decidiram e é claro que eu também a queria, afinal, por muito que me custa-se encarar aquelas caras mal dispostas eu sempre quis mostrar, que a gente ia conseguir.

Além de tudo, não passava de um bom sonho que a gente tinha.

- Uau... vamos ser Bombeiros na Alemanha, fazer amizades, conviver mais e aprender milhares de coisas novas. Vamos ter acção e adrenalina a correr-nos novamente nas veias... yeahhh!!!!

Estávamos muito entusiasmados.

Admito que mais eu do que o meu companheiro. Embora eu gostasse muito e sempre gostei da adrenalina das situações em geral, eu já tinha saído de lá à muito tempo derivado a algumas situações que se passaram.

Comigo é assim, ou sinto-me bem e está tudo em ordem ou então, até amanha que já se faz tarde.

Não gosto de estar onde não sou bem vinda ainda mais num local em que, no fundo, é tão diferente de onde a gente esteve e de onde aprendemos a ser voluntários, que foi em Portugal, à nossa maneira bem típica.

 

 

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