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Próxima Paragem

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Ser Bombeira Voluntária na Alemanha #5

Um dia, fizemos um treino em que cada colega tinha o seu par, porem eu não entendi nada das explicações e não compreendi bem quais eram as minhas tarefas.

O Comandante bem que falou, falou e falou mas eu, nada. Quando todos se começaram a mexer eu perguntei ao meu colega o que tinha de fazer e ele disse-me para ir buscar algum material. É difícil explicar a sensação de alguém me falar os nomes das coisas que tinha de ir buscar e eu não perceber nenhum dos nomes.

Não sabia que materiais ele queria. Eu bem que me esforcei ao tentar lembrar-me. Olhava para tudo, ao mesmo tempo que todos os outros chegavam e tiravam com rapidez o material que precisavam. Eu só via o carro a ficar cada vez mais vazio. Tinha de ser rápida, afinal de contas tudo aquilo poderia ser real (se fosse eu nem lá estaria, pois teria de ter a escola de bombeiro primeiro), mas eu não consegui.

Eu sei meus caros. Estou na Alemanha, tenho de falar Alemão. Sem duvida.

No entanto, quando eu entrei para para este quartel tinha avisado o Comandante e alguns dos colegas que tiveram interesse em saber, que não tinha grande experiencia com fogos urbanos e florestais. Fui cadete dois anos e aspirante seis meses depois vim para Alemanha. Não sei o que eles pensavam, mas com certeza que achavam que eu estava ali e já sabia tudo, incluindo os ditos nomes dos materiais.

O meu companheiro sabe bem mais que eu, foi Bombeiro Voluntario durante oito anos da sua vida e embora não falasse perfeito ele sabia fazer tudo muito bem, com um ou outro erro por causa da falta de percebas mas desenrascou-se muito bem. Podia não saber os nomes dos materias mas sabia quais são necessários para cada tarefa. Ao contrario de mim.

Enfim, o meu colega não me ajudou. Começou a fazer tudo sozinho e eu fiquei a olhar. Para onde ele ia, eu ia também.

Num momento, em que fazíamos uma simulação ao apagar o incêndio numa casa, o colega que estava a coordenar, falou tão rápido e tão alto que eu paralisei.

Todos olharam para mim, a ver aquela figurinha de parva que estava a fazer. Eu nem me mexi. Pensei para mim se havia mesmo necessidade de falar assim e depois senti-me envergonhada.

Ora vamos lá ver, quer dizer, falam normal e ás vezes não entendo, ao falarem alto e rápido, pior ainda. Eu só queria que aquele dia terminasse. E terminou, com todos a darem a sua opinião sobre o treino e o jovem com quem eu trabalhei a apontar para mim a dizer:

- Que querem que vos diga, fiz tudo sozinho.

De fundo ouvi o colega a dizer que alguém devia fazer alguma coisa. Esta piada era para o Comandante, que não respondeu.

Eu sei, eu sei… foi um treino e fiz tudo mal. Ele teve toda razão.

E eu? Preciso passar por isto? Por alminha de quem?

Não servia para nada e só atrapalhava.

Conclusão, fiquei três semanas sem lá meter os pés.

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